Recorte regional

Obras novas no litoral centro-norte de SC dobram na década, mas caem desde o pico de 2021

02 de setembro de 2026Atualizado em 30/09/2026 com CamboriúFonte: CNO / Receita Federal, via CaptaObras

Nos nove municípios do litoral entre Balneário Camboriú e Penha (Itapema, Porto Belo, Balneário Camboriú, Itajaí, Barra Velha, Bombinhas, Navegantes, Balneário Piçarras e Penha), o Cadastro Nacional de Obras (CNO) registrou 5.926 obras novas no triênio 2023-2025, contra 2.542 no triênio 2016-2018: uma alta de 133% comparando dois períodos já maduros na base.

O ritmo não é uma reta ascendente contínua, e a direção mais recente é de queda: a região teve seu pico de registros em 2021 (2.413 obras novas no ano, no ciclo imobiliário pós-pandemia) e caiu ano a ano desde então, por cinco anos seguidos, até 1.865 em 2025. Ainda assim, comparando a média anual de 2022-2025 (já em queda) com a média de 2016-2018, os nove municípios seguem acima do patamar antigo: de +63% em Bombinhas, a variação mais modesta da região, a +329% em Porto Belo. O litoral não voltou ao ritmo pré-2019 em nenhuma das nove cidades, mas o pico já passou e o volume anual vem encolhendo desde 2021, tendência que continua em 2026 (ver abaixo).

Obras novas por ano na região (2016-2025)

Soma dos nove municípios, pela data de início declarada no CNO. Anos fechados e já maduros na base; 2026 fica de fora desta série (ver metodologia).

AnoObras novas registradas
2016569
2017805
20181168
20191958
20202194
20212413
20222178
20232092
20241969
20251865
De 569 obras novas em 2016 a um pico de 2.413 em 2021, o volume mais que quadruplicou; daí em diante caiu em cada um dos cinco anos seguintes, até 1.865 em 2025, sem sinal de reverter. Mesmo em queda, o patamar de 2025 ainda é quase o dobro do de 2018.

Por município: dois períodos maduros, 2016-2018 e 2023-2025

Soma de obras novas em cada triênio, pela data de início declarada no CNO.

Município2016-20182023-2025Variação
Itajaí486982+102%
Barra Velha263927+252%
Itapema412878+113%
Navegantes288675+134%
Porto Belo157668+325%
Balneário Piçarras251551+120%
Balneário Camboriú293514+75%
Bombinhas241404+68%
Penha151327+117%
Total dos 9 municípios25425926+133%
Todos os municípios têm base 2016-2018 acima de 20 obras, então o percentual é uma leitura confiável em todos. Porto Belo e Barra Velha lideram a expansão relativa; Itajaí e Itapema, os maiores em volume absoluto.

A queda já aparece em 2026

No primeiro semestre de 2026, o CNO tinha até 2 de setembro 727 obras novas registradas nos nove municípios, 27% a menos que as 990 do mesmo período de 2025, e a queda aparece em todos os nove municípios, de −14% em Itapema a −37% em Bombinhas e Balneário Piçarras. O número de 2026 ainda deve subir um pouco com o registro retroativo do CNO (obra iniciada no ano pode ser cadastrada meses depois, e a extração aqui é só dois meses após o fim do semestre), mas não a ponto de reverter uma diferença de 27%: a mesma defasagem, aplicada ao semestre de comparação abaixo (1S2024 vs. 1S2025, ambos já maduros), não muda o resultado em mais que poucos pontos percentuais.

Município1º sem. 20251º sem. 2026 (parcial)Variação
Balneário Piçarras9157−37%
Bombinhas7145−37%
Barra Velha157105−33%
Navegantes13392−31%
Penha5036−28%
Porto Belo12697−23%
Itajaí179140−22%
Balneário Camboriú7159−17%
Itapema11296−14%
Total dos 9 municípios990727−27%
Todos os municípios têm base 1S2025 acima de 20 obras, então o percentual é uma leitura confiável em todos. É o quinto ano seguido de queda frente ao pico de 2021 (ver série anual acima), não um evento isolado do semestre.

Como referência de que a queda não é um artefato só do registro ainda incompleto de 2026, esta é a comparação entre os dois semestres anteriores, ambos já maduros na base: 1º semestre de 2024 contra 1º semestre de 2025.

Município1º sem. 20241º sem. 2025Variação
Barra Velha119157+32%
Navegantes101133+32%
Itajaí155179+15%
Penha4650+9%
Porto Belo122126+3%
Balneário Piçarras9291−1%
Bombinhas7271−1%
Itapema157112−29%
Balneário Camboriú10271−30%
Total dos 9 municípios966990+2%
Com os dois semestres maduros, o total fica praticamente estável (+2%), mas já mostra município a município a mesma divisão que se acentua em 2026: Itapema e Balneário Camboriú já em queda, Barra Velha e Navegantes ainda subindo. O recuo generalizado só se consolida no ano seguinte.

Verticalização: o tipo de obra que mais cresceu

Entre as obras classificadas como residencial multifamiliar (prédios de apartamentos, o tipo que mais concentra unidades por metro de rede de esgoto), a região saiu de 1.142 obras novas em 2016-2018 para 2.763 em 2023-2025: alta de 142%, acima da média geral da região. É a categoria de obra que mais explica a pressão sobre a infraestrutura urbana: mais prédios significam mais unidades habitacionais concentradas na mesma malha de saneamento.

O mesmo recorte, agora município a município: obras novas de residencial multifamiliar por triênio, pela data de início declarada no CNO.

Município2016-20182023-2025Variação
Barra Velha109657+503%
Itajaí195406+108%
Navegantes115392+241%
Itapema230299+30%
Balneário Piçarras127268+111%
Bombinhas146228+56%
Porto Belo72201+179%
Penha50168+236%
Balneário Camboriú98144+47%
Total dos 9 municípios11422763+142%
Todos os municípios têm base 2016-2018 acima de 20 obras, então o percentual é uma leitura confiável em todos. Barra Velha puxa a verticalização recente, à frente de Itajaí em volume no triênio, e também lidera a expansão relativa (+503%); Balneário Camboriú e Itapema, já mais adensadas no início do período, são as que menos aceleram.

Estoque de obras ativas hoje

Contexto de escala: quantas obras seguem com registro ativo no CNO agora, e o total já registrado em cada município, de qualquer ano de início (obras ativas, encerradas, paralisadas e suspensas somadas).

MunicípioObras ativas hojeTotal já registrado
Itajaí12234406
Itapema10013144
Balneário Camboriú8192710
Porto Belo7332015
Navegantes6982441
Barra Velha6243285
Balneário Piçarras5402087
Bombinhas4871674
Penha3201308
Total dos 9 municípios6.44523.070
"Ativa" é a situação declarada no CNO (obra em andamento ou recém-concluída, ainda sem baixa). O total inclui também obras já encerradas, paralisadas ou suspensas, de qualquer ano de início.

Camboriú: fora da orla, crescimento acima da média do litoral

Camboriú não tem praia e por isso não entra na soma dos nove municípios acima, mas faz divisa com Balneário Camboriú e Itapema e acompanhou o ciclo da construção civil da região. No mesmo recorte, o município passou de 230 obras novas em 2016-2018 para 658 em 2023-2025: alta de 186%, acima dos 133% dos nove municípios do litoral. Se entrasse na tabela por município, seria o terceiro maior crescimento relativo, atrás apenas de Porto Belo e Barra Velha.

O calendário também é outro. Enquanto o litoral teve o pico em 2021, Camboriú seguiu subindo até 2024 (272 obras novas no ano), e a queda chegou depois e mais forte: 157 em 2025, 42% a menos que no ano anterior. O 1º semestre de 2026, ainda parcial, soma 72 obras novas, 11% abaixo das 81 do 1º semestre de 2025.

Obras novas por ano em Camboriú, pela data de início declarada no registro público.

AnoObras novas registradas
201661
201778
201891
2019140
2020164
2021240
2022251
2023229
2024272
2025157
De 61 obras novas em 2016 a 272 em 2024, o volume anual mais que quadruplicou. A média de 2022-2025, já contando a queda de 2025, fica 196% acima da média de 2016-2018.

Os mesmos indicadores das seções anteriores, lado a lado com o total dos nove municípios do litoral.

IndicadorCamboriúLitoral (9 municípios)
Obras novas 2016-20182302.542
Obras novas 2023-20256585.926
Variação entre os triênios+186%+133%
Ano de pico (2016-2025)20242021
Multifamiliar, 2016-2018 → 2023-2025+170%+142%
1º sem. 2024 → 1º sem. 2025−37%+2%
1º sem. 2025 → 1º sem. 2026 (parcial)−11%−27%
Obras ativas hoje6446.445
A base 2016-2018 de Camboriú passa de 20 obras em todos os recortes, então os percentuais são uma leitura confiável. Os números de Camboriú foram extraídos em 30 de setembro de 2026 e os do litoral em 2 de setembro; por isso as colunas se comparam em percentual, e os números absolutos não devem ser somados.

A verticalização também puxa o crescimento de Camboriú: as obras de residencial multifamiliar foram de 99 para 267 entre os dois triênios (+170%) e respondem por 41% das obras novas de 2023-2025. Por bairro, as obras novas de 2023-2025 se concentram em Santa Regina (150), Centro (132), Rio Pequeno (82), São Francisco de Assis (76) e Areias (47).

Como ler estes dados

  • A contagem é de obras novas por data de início no CNO, não de alvarás emitidos pelas prefeituras nem de obras concluídas.
  • O CNO aceita registro retroativo: uma obra iniciada em determinado ano pode ser cadastrada meses ou até anos depois. Por isso a série usa apenas anos já maduros na base (2016 a 2025) e deixa 2026 de fora da comparação: até 2 de setembro de 2026 já havia 887 obras novas registradas no ano, número que ainda deve subir com o tempo e não é comparável aos anos fechados.
  • Os dados do CNO não trazem informação de saneamento (rede de esgoto, estação de tratamento, cobertura). Este levantamento mostra o volume e o ritmo da construção civil na região, que é o fator que gera demanda por infraestrutura; a leitura sobre a capacidade de saneamento acompanhar esse ritmo é editorial, não um dado do CNO.
  • Dados extraídos do CNO em 2 de setembro de 2026. O CaptaObras atualiza a base diariamente.

Como citar

Levantamento a partir do Cadastro Nacional de Obras (CNO), da Receita Federal, compilado pela CaptaObras. Uso livre com atribuição a CaptaObras e link para captaobras.com.br.

Recortes adicionais (por bairro, por porte de obra, série mensal, outros municípios da região) sob pedido: contato@captaobras.com.br.